Julia lemmertz de''em família'' fala de cena com calcinha e sutiã
Julia
Lemmertz mergulhou no mar de contradições de sua personagem e, reconhece, sai
dele diferente.
Não se
afogou. Ao contrário, aceitou o mistério de ser Helena, a dor e a delícia.
Apesar
do percurso errante da protagonista de “Em família”, do tipo “ame-a ou
deixa-a”, a atriz não fez desta conversa um instrumento de lamentações nem
falou em desafio, essa palavra de luxo — uma espécie de resposta-padrão para
atores descreverem trabalhos difíceis.
Inteira no
papel, defendeu seu drama, e sobressaiu ao quebrar a regra, surgindo de
calcinha e sutiã quando Helena, numa bebedeira até então improvável, seduz Virgílio
(Humberto Martins).
Na
ficção, a atitude levou à noite de amor do casal, antes brigado. Fora dela,
trouxe, enfim, o calor do público.
— Quando li
aquilo, falei: “Ai, meu Deus, me ajude”. Tentei fazer uma aula de pilates um
dia antes, mas não deu.
Escolhi a
calcinha e o sutiã que ficavam melhor para mim, e combinei que não teria essa
coisa de ficar dando voltas — confirma Julia sobre o momento de malícia, um dos
assuntos mais comentados do Twitter quando foi exibido:
— Se teve
uma cena em que me diverti foi essa. Ela passou a história toda sofrendo e,
ali, era uma comédia romântica. Sabia que ia causar uma celeuma.
A despeito da função dramática, as sequências formam a
moldura ideal para realçar a boa forma da atriz, de 51 anos.
Mas a luz jogada sobre o assunto é prontamente dissipada.
Sempre com respostas em que firmeza e singeleza convivem sem estridência, ela
desmonta a vaidade e, diante do quebra-cabeça proposto, destaca a peça
fundamental:
— Claro que você quer se sentir bonita, quer estar bem. Mas
isso não vem à frente de um trabalho.
Adoro que as pessoas achem que estou ótima. E eu estou bem
mesmo. Mas estou bem para mim. Não foi:
“Ah, vou ficar pelada na novela e preciso estar bem”. Nunca
pensei que isso fosse acontecer, mas preciso estar pronta.
Estou viva, com tesão, querendo fazer um trabalho
legal. Sou grata por tudo. Meu corpo é meu instrumento real, mas não vou ficar
assim o resto da vida. Não sou o Dorian Gray (personagem do livro do escritor
irlandês Oscar Wilde), um retrato na parede que não envelhece.