terça-feira, 24 de junho de 2014

Julia lemmertz de''em família'' fala de cena com calcinha e sutiã

  
Julia Lemmertz mergulhou no mar de contradições de sua personagem e, reconhece, sai dele diferente.
 Não se afogou. Ao contrário, aceitou o mistério de ser Helena, a dor e a delícia.
 Apesar do percurso errante da protagonista de “Em família”, do tipo “ame-a ou deixa-a”, a atriz não fez desta conversa um instrumento de lamentações nem falou em desafio, essa palavra de luxo — uma espécie de resposta-padrão para atores descreverem trabalhos difíceis. 
Inteira no papel, defendeu seu drama, e sobressaiu ao quebrar a regra, surgindo de calcinha e sutiã quando Helena, numa bebedeira até então improvável, seduz Virgílio (Humberto Martins).
 Na ficção, a atitude levou à noite de amor do casal, antes brigado. Fora dela, trouxe, enfim, o calor do público.
— Quando li aquilo, falei: “Ai, meu Deus, me ajude”. Tentei fazer uma aula de pilates um dia antes, mas não deu. 
Escolhi a calcinha e o sutiã que ficavam melhor para mim, e combinei que não teria essa coisa de ficar dando voltas — confirma Julia sobre o momento de malícia, um dos assuntos mais comentados do Twitter quando foi exibido: 
— Se teve uma cena em que me diverti foi essa. Ela passou a história toda sofrendo e, ali, era uma comédia romântica. Sabia que ia causar uma celeuma.
A despeito da função dramática, as sequências formam a moldura ideal para realçar a boa forma da atriz, de 51 anos. 

Mas a luz jogada sobre o assunto é prontamente dissipada. Sempre com respostas em que firmeza e singeleza convivem sem estridência, ela desmonta a vaidade e, diante do quebra-cabeça proposto, destaca a peça fundamental:
— Claro que você quer se sentir bonita, quer estar bem. Mas isso não vem à frente de um trabalho. 
Adoro que as pessoas achem que estou ótima. E eu estou bem mesmo. Mas estou bem para mim. Não foi: 
“Ah, vou ficar pelada na novela e preciso estar bem”. Nunca pensei que isso fosse acontecer, mas preciso estar pronta.
 Estou viva, com tesão, querendo fazer um trabalho legal. Sou grata por tudo. Meu corpo é meu instrumento real, mas não vou ficar assim o resto da vida. Não sou o Dorian Gray (personagem do livro do escritor irlandês Oscar Wilde), um retrato na parede que não envelhece.

Nenhum comentário:

Postar um comentário